CARACAS — As autoridades venezuelanas liberaram um total de 18 presos políticos em meio ao intenso cenário político que se segue à incursão militar dos Estados Unidos e à captura do presidente deposto Nicolás Maduro, informou neste sábado (10) a agência Reuters, com base em dados de grupos de direitos humanos.
Os libertados são detentos da oposição mantidos em prisões venezuelanas — uma exigência repetida pelos opositores do regime e observadores internacionais. A ação foi anunciada no dia 8 de janeiro pelo presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, embora ele não tenha detalhado os nomes ou a identidade completa dos libertos.
Segundo o grupo de advogados Foro Penal, ainda existem mais de 800 presos políticos no país, incluindo cidadãos venezuelanos e estrangeiros acusados em grande parte de crimes relacionados à dissidência política, protestos contra o governo e supostas atividades contra o Estado.
A libertação ocorre no contexto de pressão internacional e diplomática, principalmente após a operação liderada pelos EUA que resultou na prisão de Maduro e sua esposa em 3 de janeiro de 2026. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que a liberação dos detidos representava um gesto de busca pela paz, e que por conta disso sua administração havia cancelado uma segunda onda planejada de ataques ao país.
Fontes internacionais também relatam que entre os libertados estavam cinco cidadãos espanhóis, que receberam apoio de seus governos para retorno à Europa após a soltura, reforçando o caráter internacional do movimento.
Apesar da liberação, organizações de direitos humanos e oposição afirmam que a medida ainda é limitada diante do número total de presos políticos, e que cerca de 800 ativistas, jornalistas e opositores continuam detidos sob acusações que muitos classificam como políticas.
A soltura dos 18 presos representa um dos primeiros sinais de modulação na política de repressão no país desde a captura de Maduro, mas continua cercada de incertezas e debate sobre até que ponto essas ações sinalizam uma mudança real de postura do governo interino venezuelano diante das pressões externas e internas.
O episódio também tem repercussão diplomática, com potências europeias e organizações de direitos humanos monitorando a evolução do processo e cobrando transparência sobre a continuidade das liberdades civis e políticas na Venezuela pós-incursão.