A vitivinicultura do Cerrado brasiliense vem ganhando destaque internacional e recentemente atraiu a atenção de um executivo da tradicional vinícola italiana Castellani Spa, reforçando o potencial da produção local diante de grandes players globais do setor. Entre 26 e 28 de dezembro de 2025, Massimo De Grandis — Managing Director para o mercado latino-americano da Castellani — visitou a Villa Triacca Hotel Vinícola & Spa, em Brasília, para conhecer de perto os vinhedos, o processo produtivo e os rótulos desenvolvidos no cerrado.
O interesse italiano se explica pela identidade própria dos vinhos produzidos na região, cuja combinação de clima seco no inverno, alta luminosidade e técnica da dupla poda favorece uvas com grande concentração aromática e equilíbrio, características cada vez mais valorizadas por mercados internacionais. Vinhos do Cerrado já conquistaram prêmios em concursos renomados como Vinalies (Cannes), Decanter (Londres) e Wine Hunter Award (Merano), o que explica por que projetos brasileiros começam a “entrar no radar” de grandes nomes da vitivinicultura mundial.
Essa movimentação ocorre em um momento em que o Brasil como importador de vinhos italianos tem crescido significativamente, com importações de rótulos italianos aumentando nos últimos anos e Itália reforçando sua presença no mercado brasileiro através de eventos como a 6ª edição da “Vini D’Italia” em Brasília, impulsionando intercâmbios comerciais e culturais.
Especialistas do setor também destacam que a produção de vinho no Brasil — que historicamente está mais concentrada no Sul — tem visto expansão nas fronteiras da vitivinicultura, com o Cerrado sendo um dos biomas que mais se destacam pela singularidade de seus vinhos, algo que vem surpreendendo avaliadores e importadores.
Para os produtores locais, a visita da Castellani representa um sinal de que o Cerrado pode deixar de ser apenas expressão de qualidade nacional para se tornar uma referência exportável e tecnicamente respeitada, abrindo portas para parcerias internacionais, investimentos em tecnologia e maior projeção em mercados exigentes.
A aproximação entre o Cerrado brasiliense e a vitivinicultura italiana simboliza uma tendência de internacionalização da produção brasileira, colocando a região no mapa global do vinho e despertando expectativas de crescimento sustentável e inovação no setor.