Violência no Centro-Oeste: avanços e retrocessos em meio a disparidades entre cidades

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Violência no Centro-Oeste: avanços e retrocessos em meio a disparidades entre cidades

Apesar de o Brasil registrar queda geral nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) — homicídios, latrocínios e lesões corporais seguidas de morte — no país em 2024, com taxa de 20,8 casos por 100 mil habitantes, a violência segue desigual entre as regiões e dentro do Centro-Oeste brasileiro. O Anuário Brasileiro de Segurança Pública 2025 aponta essa redução no país como um todo, reflexo de políticas públicas e mudanças demográficas, mas ressalta que bolsões persistem em várias localidades.

No Centro-Oeste, os estados não figuram entre os mais violentos do país em nível estadual — ocupando posições intermediárias no ranking nacional de MVI — mas há cidades com índices preocupantes, que contrastam com capitais mais seguras da mesma região.

Um exemplo que ilustra esse contraste é a cidade de Sorriso (MT), considerada a mais violenta do Centro-Oeste nos dados mais recentes, com taxas de homicídio muito acima da média nacional. Ao longo dos últimos anos, Sorriso chegou a apresentar quase 60 homicídios por 100 mil habitantes, bem acima da média brasileira, impulsionada por disputas entre facções e crimes relacionados ao tráfico e roubo de cargas.

Em contrapartida, capitais como Campo Grande (MS), embora ainda enfrentem desafios, têm índices de homicídios mais próximos da média nacional, com estudos anteriores registrando cerca de 23,4 homicídios por 100 mil habitantes em períodos analisados — taxa inferior à observada em cidades de média violência.

Entre os 10 municípios mais violentos do Centro-Oeste em termos relativos (taxa por 100 mil habitantes), com base em dados estaduais e pesquisas regionais, destacam-se:

  1. Sorriso (MT) — entre as mais altas taxas da região
  2. Cuiabá (MT) — capital com desafios em homicídios e roubos
  3. Várzea Grande (MT) — forte correlação com criminalidade urbana
  4. Goiânia (GO) — enfrentando violência juvenil e grupos criminosos
  5. Aparecida de Goiânia (GO) — extensão urbana com altas taxas
  6. Luziânia (GO) — áreas periféricas com indicadores elevados
  7. Dourados (MS) — notável em dados estaduais de violência
  8. Três Lagoas (MS) — desafios similares a outras cidades médias
  9. Brasília (DF) — violência urbana em distritos específicos
  10. Planaltina (DF) — periferias com índices acima da média

(Lista estimada com base em padrões de violência registrados em relatórios estaduais e regionais, dada a ausência de ranking oficial completo somente para a região Centro-Oeste nos dados públicos disponíveis.)

O quadro mostra que, embora a violência letal tenda a cair em termos nacionais, refletindo políticas de enfrentamento de crimes, certas cidades do Centro-Oeste ainda convivem com níveis preocupantes de homicídios e violência urbana, especialmente quando associadas a fatores socioeconômicos, disputas territoriais e presença de grupos criminosos.

Especialistas indicam que a melhoria sustentável nos índices depende de ações integradas de prevenção, policiamento comunitário e investimento social, além de políticas que abordem as causas estruturais da violência nas áreas mais impactadas.