Wellington Fagundes defende produtores brasileiros após decisão da China sobre importações de carne bovina

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Wellington Fagundes defende produtores brasileiros após decisão da China sobre importações de carne bovina

O senador Wellington Fagundes (PL-MT), integrante da Frente Parlamentar da Agropecuária e um dos principais representantes do setor produtivo no Congresso, saiu em defesa dos pecuaristas brasileiros neste sábado (3), após a decisão do governo chinês de suspender temporariamente parte das importações de carne bovina do Brasil, sob alegação de questões sanitárias e necessidade de revisão de protocolos de exportação.

Fagundes critica postura da China e cobra reação diplomática

Em nota publicada nas redes sociais, Fagundes afirmou que o Brasil “mantém um dos sistemas de vigilância sanitária mais rigorosos do mundo” e que a decisão de Pequim “carece de proporcionalidade e transparência técnica”. O senador defendeu uma resposta firme do Itamaraty e da ministra da Agricultura, Tereza Cristina, para evitar prejuízos ao setor.

“Não é admissível que o produtor brasileiro pague o preço de decisões políticas disfarçadas de barreiras sanitárias. Nosso país tem qualidade e segurança alimentar reconhecidas internacionalmente”, escreveu.

Impacto econômico

A China é o maior comprador individual da carne bovina brasileira, respondendo por cerca de 55% das exportações do setor, o que equivale a mais de US$ 8 bilhões anuais. Mato Grosso, principal estado exportador, pode ser um dos mais afetados pela suspensão, com perdas projetadas de até R$ 300 milhões por mês, segundo estimativas da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat).

Apoio de entidades e colegas do Senado

Após a manifestação de Fagundes, entidades do agronegócio e outros parlamentares da bancada ruralista declararam apoio ao senador. O presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), deputado Pedro Lupion (PP-PR), afirmou que “a postura da China é política e precisa ser tratada como tal”.
Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) reforçaram que os frigoríficos e fazendas brasileiras “seguem padrões equivalentes ou superiores aos exigidos pela Organização Mundial de Saúde Animal (OMSA)”.

Pressão por diplomacia ativa

Fagundes defendeu que o governo brasileiro reforce as negociações bilaterais e, se necessário, acione fóruns internacionais para questionar a suspensão. Ele também sugeriu que o Brasil amplie mercados alternativos, fortalecendo acordos com Indonésia, Egito e países árabes, para reduzir a dependência de um único parceiro comercial.

“Não podemos aceitar ser reféns de decisões externas. O agronegócio é a locomotiva da economia brasileira e deve ser respeitado”, disse o senador durante evento em Rondonópolis.

Contexto e próximos passos

Fontes do Ministério da Agricultura informaram que técnicos chineses e brasileiros estão em contato para esclarecer a ocorrência que motivou a suspensão, relacionada a um caso isolado de encefalopatia espongiforme bovina (mal da vaca louca) em uma fazenda no Pará.
O governo brasileiro espera reverter a medida nos próximos dias, destacando que todos os padrões de rastreabilidade e segurança alimentar foram cumpridos.

Para Fagundes, o episódio reforça a necessidade de o país investir em diplomacia comercial proativa e diversificação de mercados, garantindo estabilidade a um setor que responde por mais de 25% das exportações brasileiras.