O anúncio da inauguração da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Cáceres e de um gasoduto em Cuiabá pelo Governo de Mato Grosso é, sem dúvida, um marco simbólico na agenda de infraestrutura estadual em 2025. Após anos de obras inacabadas, essas duas iniciativas foram retomadas e concluídas, prometendo atrair investimentos, gerar empregos e dar fôlego a um ciclo de crescimento econômico mais robusto.
A ZPE de Cáceres, criada em 1990 e oficialmente alfandegada apenas em 2024, é a terceira ZPE ativa do Brasil e foi concebida para atrair empresas com foco em exportação, oferecendo benefícios tributários e administrativos. Em tese, isso coloca Mato Grosso numa rota de maior integração com mercados internacionais, ampliando a atuação além do tradicional agronegócio que já tornou o estado líder na produção de soja, milho e algodão.
Da mesma forma, o gasoduto inaugurado em Cuiabá pode reduzir custos de energia para indústrias e estimular novas atividades econômicas ao facilitar o acesso ao gás natural — um insumo estratégico para a produção industrial e geração de energia térmica.
No entanto, a retomada dessas obras levanta questionamentos importantes. Além de dependerem de incentivos fiscais estendidos, que podem alterar a arrecadação estadual, há o desafio de efetiva atração de empresas capazes de se instalar na ZPE e de utilizar plenamente o gasoduto. Sem um plano integrado de desenvolvimento — envolvendo logística, capacitação da mão de obra e proteção ambiental — tais obras podem se tornar símbolos vazios de progresso.
É essencial que o Estado vá além da simples inauguração. Medidas adicionais, como parcerias com universidades, políticas claras de sustentabilidade e garantias de competitividade regional, são imperativas para que essas instalações deixem de ser meros monumentos e se tornem verdadeiros motores de desenvolvimento econômico duradouro para Mato Grosso em um mercado global cada vez mais competitivo.