BRASÍLIA – Pela primeira vez na série histórica do instituto Quaest, o senador Flávio Bolsonaro (PL) assumiu a liderança numérica sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. A pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (15.04.2026), aponta o parlamentar com 42% das intenções de voto, contra 40% do atual mandatário.
Embora o cenário configure um empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, a inversão de posições consolida uma tendência de queda constante da vantagem de Lula, que em dezembro de 2025 chegava a dez pontos.
A Evolução do Confronto Direto
A trajetória dos últimos meses revela um desgaste na popularidade do governo e uma consolidação da oposição. Em março, os dois apareciam em empate absoluto com 41%.
| Mês (2025-2026) | Lula (PT) | Flávio Bolsonaro (PL) | Vantagem de Lula |
| Dezembro | 46% | 36% | +10 pontos |
| Janeiro | 45% | 38% | +7 pontos |
| Fevereiro | 44% | 39% | +5 pontos |
| Março | 41% | 41% | Empate |
| Abril (Atual) | 40% | 42% | -2 pontos (Flávio à frente) |
Cenário de 1º Turno e Outros Candidatos
Apesar da desvantagem no confronto direto, Lula ainda lidera de forma isolada no primeiro turno com 37%, seguido por Flávio Bolsonaro com 32%. A pesquisa também testou outros nomes e o desempenho do presidente contra demais adversários em um eventual segundo turno:
- Lula x Zema: Lula 43% vs. Romeu Zema 36%.
- Lula x Caiado: Lula 43% vs. Ronaldo Caiado 35%.
- Lula x Augusto Cury: Lula 44% vs. Augusto Cury 23%.
No primeiro turno, os candidatos de centro e direita moderada seguem em patamares baixos: Ronaldo Caiado (6%), Romeu Zema (3%), Augusto Cury (2%) e Renan Santos (2%). Brancos, nulos e os que não pretendem votar somam 11%.
Economia e Rejeição: O Calcanhar de Aquiles do Governo
O avanço de Flávio Bolsonaro coincide com a deterioração da percepção econômica. Segundo a Quaest, 50% dos brasileiros acreditam que a situação financeira do país piorou nos últimos 12 meses, e 72% notaram alta no preço dos alimentos.
A desaprovação da gestão Lula subiu para 52%, enquanto a aprovação oscilou para 45%. Entre os eleitores evangélicos e os moradores das regiões Sul e Sudeste, a rejeição ao governo federal atinge seus picos históricos, impulsionando a migração de votos para o clã Bolsonaro.
Dados Técnicos da Pesquisa
- Amostra: 2.004 eleitores (entrevistas presenciais).
- Período: 9 a 13 de abril de 2026.
- Margem de Erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
- Registro no TSE: BR-09285/2026.
Com a margem tão estreita e o sentimento de "voto útil" já aparecendo no horizonte, a sucessão presidencial de 2026 promete ser uma das mais acirradas da história, com o governo sob pressão para entregar resultados econômicos imediatos e a oposição unificada em torno do nome de Flávio Bolsonaro.